Número de mortos em Moçambique pode ultrapassar 1.000, mais de 15.000 pessoas estão desaparecidas após destruição massiva do Ciclone Tropical "Idai".

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Milhares de pessoas ainda precisam ser resgatadas após um ciclone devastador atingir os países da África Austral. Espera-se que o número de mortos atinja pelo menos 1.000 pessoas, com uma estimativa de 15.000 pessoas ainda desaparecidas. Os sobreviventes estão enfrentando uma crise humanitária, com os sistemas de água e saneamento fortemente danificados pela tempestade.

Milhares de pessoas estão fazendo uma viagem sinistra até à cidade da Beira, em Moçambique, que, embora fortemente danificada, é agora um centro de esforços de salvamento. Alguns caminhavam por estradas esculpidas pelas águas revoltas, enquanto outros eram transportados por pescadores locais. Helicópteros saíram à chuva para mais um dia de esforços para encontrar pessoas agarradas a telhados e árvores. O número confirmado de mortes no Zimbábue, vizinho de Moçambique e Maláui, superou 500 na quinta-feira, com centenas mais temidas em áreas totalmente submersas pelo ciclone Idai. Aqueles que chegam à Beira …

Leiliane, portadora de MAV (malformação arteriovenosa rara), a jovem que socorreu motorista do caminhão, ganha tratamento médico.


Leiliane Rafael da Silva, 28, portadora de MAV (malformação arteriovenosa caracterizada pela alteração na formação dos vasos sanguíneos no cérebro), ganhou acompanhamento médico.

Ela será tratada pelo doutor Feres Chaddad Neto, especialista em MAV e professor de neurocirurgia da Unifesp.

                                                                                                           Ilustração: Angelo France


Leiliane conta que a doença que ela tem causa convulsões, dores de cabeça e vômito. “O medo dos médicos é de os vasos se romperem e causarem a minha morte. É mais perigoso que um tumor cerebral. Tenho uma bomba relógio na cabeça”.

Ela trabalha como camelô e descobriu a MAV há quatro meses. Mesmo assim vive normalmente como se cada dia fosse seu último.

“Se eu sentir dor ou convulsão, eu deito. Quando passa, eu levanto e começo a preparar a comida, ou a limpar a casa.”

Leiliane vende produtos como sapatos e camisetas três vezes por semana entre o Brás e o centro de Osasco, em São Paulo.

”Desde que descobriu a doença, ela não pode trabalhar com a carteira assinada. “Não tenho como ficar sem trabalhar, preciso colocar comida na mesa para meus três filhos.”

Ao ser perguntada sobre os memes recentes em que ela vira uma super-heroína salvando vidas, Leiliane fica sem graça e diz que não se sente uma mulher-maravilha.

“Sou nada. Sou para minhas filhas. Isso eu sou. Não aprendi a voar ainda, mas eu voo diariamente, corro para buscar elas na escola, dar comida, dar de mamar para a menor, ajudar na lição de casa, tenho que preparar um futuro para elas, ninguém sabe o dia de amanhã.”

Fonte: SóNotíciasBoas/Istoé